Publicado por: Fernando de Oliveira | 22/10/2015

Mercado de smartphones recua 13% no segundo trimestre

Recentemente publiquei um texto onde Andy Rubin, o “pai do Android”, afirmava que o futuro não está no mobile. O dado sobre a queda nas vendas de smartphones pode até ser uma confirmação dessa previsão, mas fica a pergunta: para onde vai o futuro? Será que só Doc. Brown pode responder isso?

Particularmente acho que a diminuição do número de smartphones vendidos é uma coisa natural. Assim como acontece com todos os setores, depois de um boom prolongado de consumo é previsível que haja um desaquecimento do mercado. O que será que acham os ““”gurus digitais””” (aspas triplas)?

Compra pelo smartphoneO mercado brasileiro de smartphones encolheu no segundo trimestre do ano, conforme dados da empresa de pesquisa de mercado IDC Brasil. O setor registrou queda de 13% em unidades vendidas em relação ao mesmo período de 2014. Entre abril e junho, o setor comercializou 11,3 milhões de unidades. O crescimento visto no período de janeiro a março, quando as vendas aumentaram 33% em relação a um ano antes, não deve se repetir este ano.  Para a consultoria, o cenário é desfavorável, e as vendas devem continuar em queda.

No segmento de feature phones, a queda é ainda mais acentuada, motivada em maior parcela pela migração da base de usuários para os smarpthones. O levantamento mostra que a venda dos aparelhos simples, que apenas fazem chamadas e trocam mensagens SMS ou MMS, caiu 78% no segundo trimestre, em relação ao segundo trimestre de 2014. Foram 936.725 aparelhos do tipo comercializados no período.

“Os problemas na economia, a inflação acima de 9%, a taxa de desemprego crescente e o índice de confiança do consumidor, que está em um patamar pior do que durante a crise de 2009, são os fatores responsáveis pelo mau desempenho. O cenário piora a cada mês e acredito que não haverá recuperação breve”, afirma Leonardo Munin, analista de pesquisas da IDC Brasil.

Apesar das dificuldades, as empresas estão conseguindo evitar que o faturamento caia na mesma proporção. Segundo o analista, houve queda de apenas 7% na receita. “Isso mostra que o consumidor brasileiro não está mais tão sensível aos preços e compra produtos mais caros também. As fabricantes estão investindo e colocando aparelhos cada vez melhores no mercado”, lembra. O ticket médio dos aparelhos aumentou R$ 78. Passou de R$ 789 (primeiro trimestre) para R$ 867 (segundo trimestre). Ele ressalta, no entanto, que os smartphones mais caros têm um ciclo de vida maior, o que também impacta o resultado das vendas futuras.

Smartphones-UsersO estudo revela, ainda, que os dispositivos começam a “encalhar” nas lojas. O estoque em toda a cadeia de produção, seja de insumos ou de aparelhos prontos, nunca foi tão grande como no segundo trimestre deste ano. “A alta do dólar obrigou o mercado a adiantar as compras para fugir do repasse de preços. Agora, para o mercado girar, fabricantes, canal e varejo tiveram que usar estratégias agressivas de preço para comercializar os produtos. Não há uma referência de valores aplicados e muitas empresas fizeram verdadeiras loucuras para conseguir cumprir suas metas”, analisa.

As operadoras têm tido papel fundamental para fazer o setor girar. São elas que estão identificando os consumidores dispostos a fazer um upgrade.”Elas observam em seus bancos de dados os usuários que adquiriram smartphones há algum tempo e propõem atualização. Se não houvesse essa movimentação, a queda no volume de vendas seria ainda maior”, diz Munin.

De acordo com o estudo, o cenário para o restante do ano não deve ser diferente. Apenas a Black Friday e o Natal podem dar algum fôlego ao mercado. Se o dólar continuar alto, um novo repasse de preços pode acontecer nos próximos meses. A expectativa da IDC Brasil é de que 50 milhões de smartphones sejam vendidos até o fim de 2015, número que é 8% menor do que o volume comercializado em 2014. Já o mercado total, somando feature e smartphone, deve cair 24%.

A pesquisa mostra, também, que os phablets, aparelhos com telas acima de 5.5 polegadas, corresponderam a apenas 3% das vendas. Os dispositivos com tela de 5 a 5,5 polegadas representam a maior fatia do mercado de smartphones. Já o interesse pelo 4G aumentou: 34% dos aparelhos vendidos no segundo trimestre têm tecnologia, o que deve pressionar a rede das operadoras em banda larga móvel.

Fonte: Tele Síntese


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