Publicado por: Fernando de Oliveira | 13/03/2014

Londres, uma cidade em constante movimento – Parte I

Esse é um texto escrito em duas partes condensando minhas memórias de uma das cidades mais cativantes do mundo.

Torre de Londres 2013Poucos lugares são tão apegados as tradições do que Londres. A fleuma britânica, o humor peculiar, a educação impecável, a loucura incontrolável, a mão invertida e aquele sentimento de que a cultura é exalada de cada parede levantada na cidade. Mesmo assim, poucos lugares têm um processo de evolução tão constante quanto Londres. Você pode lembrar que o metrô (The Tube) tem mais de 150 anos, centenas de estações (em funcionamento e fechadas) e que mesmo assim continua sendo modificado de acordo com as necessidades dos moradores ou do desenvolvimento de alguma área. Visitar Londres é sempre um prazer, sempre uma novidade, sempre diferente. Desde 2002 que a cidade é uma das minhas paradas preferidas (como turista e como cidadão comum), seja pela sua música, sua história ou sua gente, cada vez mais globalizada.

A festa dos turistas

heathrowexpress3A festa começa logo na chegada. Ao contrário do que acontece no Galeão, sair e chegar do aeroporto de Heathrow é fácil e com uma boa gama de opções. Você pode escolher entre ônibus, táxi, serviço de vans, metrô ou Heathrow Express – trem de alta velocidade que o levará até o centro da cidade em meros 15 minutos. Isso, com TV exclusiva, local para bagagem, tomadas para recarregar o smartphone e wi-fi. Igualzinho ao Brasil. Você pode comprar o ticket na hora, mas comprar pela internet sai mais barato.

Nesta última viagem (outubro de 2013) foi possível ver (e rever) locais já conhecidos, outros novos e chegar a conclusão de que a cidade sabe se modernizar sem perder a identidade. Se o aeroporto continua sendo um exemplo de funcionalidade, os parques continuam bem cuidados e sendo uma ótima opção de passeio e os double decks ainda passeiam pelas ruas da cidade, embora bem mais modernos e confortáveis, as atrações turísticas mantêm o charme e o cuidado no trato com o turista.

Mão inglesaPara começar, nada como uma cidade que tenha um bom sistema de transportes. Se andar de táxi é caro, também é praticamente desnecessário. O sistema trem/ônibus/metrô é de uma eficiência indescritível para alguém que mora no Brasil. São linhas e linhas que se cruzam e dão opções de tarifas que, ao contrário do que acontece no Rio, por exemplo, ficam mais baratas a medida que você utiliza mais viagens ou compra passes para vários dias. E mesmo quando há paralisações no sistema (seja por problemas técnicos ou por obras de expansão), há avisos e opções alternativas grátis) que não causam grandes transtornos. Vale destacar que mesmo com 150 anos o metrô de Londres continua abrindo e fechando estações, se modernizando para atender melhor seus usuários. Vale lembrar que o intervalo entre os trens do metrô raramente chegam aos 3 minutos e que os pontos de ônibus também indicam quanto tempo determinada linha vai demorar para chegar. Como lá vale a mão inglesa, com os carros andando em sentido contrário ao do resto do mundo, olhe sempre para baixo antes de atravessar uma rua. Nos sinais há sempre uma mensagem lembrando os turistas para qual lado devem olhar antes de atravessar. Outros pontos positivos são a educação dos motoristas – que param sempre que você coloca o pé na rua (menos em uma travessia famosa) e o pedágio urbano, que diminuiu consideravelmente o número de carros nas ruas e o tamanho dos congestionamentos.

london-eye-pictureComo na maioria das cidades evoluídas, há um passe para descontos e entrada gratuita em atrações da cidade (museus, etc), que pode ser muito útil ao turista de primeira viagem ou aquele que queira mesmo agir como um turista, mesmo já conhecendo a cidade, que não cobra entrada em seus museus. Outros locais, como a London Eye, evoluíram em termos de comodidade e abrigam agora vários tipos de passeio, um ótimo local para quem aguarda sua vez na roda gigante e até mesmo um filme 3D sobre a cidade.

Mas se Londres é a casa do Big Ben, das Casas do Parlamento, da Torre e da Ponte de Londres, todas atrações erguidas séculos atrás, também é a casa do ainda jovem Museu do Rock, da Arena O2 e do novíssimo The Shard, o prédio mais alto da Europa que, como em todo bom local destinado ao turismo, tem uma bela estrutura de apoio, loja, pessoas tirando fotos que depois servem de souvenir, etc.

A segurança feita por uma polícia que não usa armas e que, longe de ser perfeita, não permite que sintamos medo de andar pelas ruas da cidade mais bem vigiada por câmeras do mundo, permite que existam caminhadas temáticas para personagens reais (Jack, O Estripador), fictícios (Sherlock Holmes) e até mesmo para quem ainda está vivo (Beatles). Os museus, que vão do chá das cinco até galerias de arte moderna, passando por figuras de cera, são muitos e imperdíveis.

Gastronomia renovada

Um dos pontos fracos da capital inglesa sempre foi a sua gastronomia. Durante décadas ela foi criticada pela péssima comida servida em restaurantes e pubs. Bem, a diferença entre a Londres de 2002 e a de 2013 é grande em vários aspectos, principalmente no quesito comida. Espalhados pela cidade estão cadeias de comida italiana, os pubs melhoraram muito e até mesmo as chip shops (que fechavam exatamente quando sentíamos fome) melhoraram e a rede Fish! Provou que o fish and chips pode ser uma iguaria e não apenas um prato tradicional e barato (provem os feitos com bacalhau). Outro ponto positivo são os sempre bons restaurantes do bairro chinês e os dos cheffs modernos, como Jamie Oliver, que servem refeições baratas e de ótima qualidade (na maioria das vezes).

Fish and chips 2013Outra vantagem da nova gastronomia londrina é a possibilidade de combinar uma visita a alguma das atrações da cidade, com uma refeição em algum restaurante parceiro. Isso economiza tempo, dinheiro e ainda garante uma qualidade mínima da refeição. E, para finalizar, fica a dica: marque tudo com antecedência pela internet. Até o tradicional chá da cinco pode ser reservado em um local perto de onde você vai estar e no horário que você quiser.

Parques, feiras e caminhadas

Londres não tem um espaço como o Central Park ou a Floresta da Tijuca, mas a beleza e tranquilidade do Hyde Park e do Regent’s Park (só para citar os meus preferidos) torna-os perfeito para uma caminhada matinal, um passeio de bicicleta ou mesmo para passar alguns momentos de ócio ou leitura de um bom livro, embora um turista raramente tenha tempo para ler. Mas, se a ideia for mesmo bater perna, as várias feiras e mercados da cidade (Camden Town, Portobello Road e Borough Market) servem como ótimos passeios e uma boa oportunidade para comprar algo que sirva como lembrança para toda a vida. Quem sabe você não dá sorte de encontrar até uma barraca de água-de-coco no meio de uma das mais movimentadas ruas da cidade.

Aproveitar o que Londres tem para oferecer não é tarefa para novatos. São muitos os guias (online e impressos), mas nada substitui o bom e velho roteiro feito a mão, dividindo a cidade em áreas e aproveitando cada segundo na capital do Reino Unido(?).


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