Publicado por: Fernando de Oliveira | 08/01/2014

Quando todos são responsáveis por uma tragédia

As imagens do esmagamento e morte de um ciclista em São Paulo – esmagado entre uma carreta e um ônibus depois de fazer uma manobra irresponsável (clique aqui e veja o vídeo) – e o caso da queda de uma menina no aeroporto do Galeão, no Rio, acabam gerando reações que parecem descabidas, contra o motorista da carreta (que não parou para socorrer o ciclista, muito provavelmente porque nem viu o que aconteceu) e da administração do aeroporto, quando parece óbvio que houve negligência dos pais em cuidar dos filhos.Ciclista imprensado

Bem, vamos deixar uma coisa clara: esse não é um texto para aliviar a barra de ninguém, apenas para tentar dividir as responsabilidades. No caso do acidente de trânsito, fica claro que o ciclista entrou numa de “vão me deixar passar” e se deu mal. Claro que na maioria das vezes os motoristas não respeitam ciclistas e motos (motoqueiros e motociclistas, para deixar todos felizes), mas é preciso ver que esses condutores de veículos leves também parecem desconhecer as regras de trânsito e acham que trafegar entre os carros é um direito adquirido. Afinal, demonizar uma parte ou outra não ajuda em nada na melhoria da nossa cidadania.

Já o caso da menina que caiu do terceiro andar do Galeão, fica clara a falta de atenção dos pais em relação ao comportamento da criança. Que o aeroporto é ridículo, mal conservado e cheio de armadilhas (em vários aspectos), qualquer pessoa que já tenha viajado para o exterior sabe, mas que as evidências nos levam a crer que a menina estava totalmente solta e sem qualquer supervisão, é clara. Não sei se os pais são daqueles que acham que tudo que os filhos fazem lindo e que uma vez ou outra dão um gritinho para mostrar algum tipo de autoridade, mas é preciso investigar, já que acidentes podem acontecer em escadas rolantes, escadas, shopping centers e praticamente qualquer lugar onde deixem crianças sem supervisão.

Esse desabafo é contra o péssimo hábito de se transformar as vítimas em mártires. Sempre lembro o caso da morte do filho da atriz Cissa Guimarães. O atropelador estava trafegando dentro de um túnel que estava fechado e atropelou o rapaz, que andava de skate dentro do mesmo túnel que estava FECHADO! Culpados? Bem, as duas partes estavam igualmente erradas e sugerir a troca do nome do túnel para homenagear o morto é algo que soa como “vamos homenagear um transgressor“. Pode ser uma realidade dura, um comentário cruel, mas é a realidade.

Gente, vamos responsabilizar os responsáveis e não apenas quem queremos que seja culpado.


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