Publicado por: Fernando de Oliveira | 11/11/2013

The Diving Board – Elton John em grande estilo

Elton John - The Diving BoardAlguns artistas se destacam não apenas pelo sucesso comercial, pelo trabalho de qualidade, mas também pelo longevidade. Sir Elton John é um deles. Apesar do tempo de grande fazedor de sucessos já ter passado, de sua voz ter perdido quase que totalmente os agudos e seus álbuns mais recentes tenham sofrido com escolhas duvidosas de repertório e uma dose acima do recomendável de pretensão, ninguém duvida de que Elton ainda é capaz de criar boas melodias para acompanhar os sempre belos e densos poemas escritos por Bernie Taupin. Talvez faltasse encarar o desafio da modernidade olhando para trás, sem querer soar solene. The Diving Board – 31° álbum de estúdio do ex-Capitão Fantástico – consegue soar relevante, moderno e com ecos do melhor da produção musical do pianista nas décadas de 70 e 80.

Posso até correr o risco de soar repetitivo, mas The Diving Board guarda semelhanças (em produção e relevância) com New, disco lançado a pouco por outro Sir, Paul McCartney. Os dois álbuns foram lançados após um razoável tempo longe dos estúdios (mais no caso de Elton) e contaram com uma ótima produção, para poder destacar o talento dos artistas, colocando-os em conexão com suas qualidades e deficiências atuais.

EltonJohnStreamimage._V358412848_Depois de vários discos onde as intenções foram melhores que os resultados – Peachtree Road (2004), The Captain & the Kid (2006) e The Union, com Leon Russell (2010) – Elton parece ter redescoberto que valorizar o básico sempre lhe fez bem. Na verdade, desde Songs from the West Coast (2001) o músico não lançava uma coleção de canções com tanta qualidade e coerência. Logo na faixa de abertura, Oceans Away – uma homenagem ao pai de Bernie, que foi um veterano herói de guerra -, onde apenas a voz e o piano de Elton dão peso a uma melodia e a uma linha de piano que muito bem poderiam estar em Goodbye Yellow Brick Road ou em algum dos discos que lançou no início dos anos 80, graças a produção de T-Bone Burnett, que conseguiu trabalhar a voz de Elton e fazê-la soar décadas mais jovem e fazer com que sua banda (sem os membros originais/tradicionais) soasse como há muito não fazia. O pandeiro de Ray Cooper está lá, mesmo não sendo tocado por ele!

Os mais novos podem não saber – e o próprio Elton parece ter esquecido – o quão bom ele é ao piano. A Town Called Jubilee é um dos momentos onde o talento como pianista se destaca e deixa claro que quando bem orientado e focado, ele ainda pode jogar em altíssimo nível. Até mesmo os três temas instrumentais – Dream #1, Dream #2 e Dream #3 – têm uma aura que foi se diluindo em produções cheias de sintetizadores, teclados elétricos e baterias eletrônicas, que não tem espaço aqui.

Elton-John-1024x819Não há mais Saturday Night’s Alright For Fighting, Candle in the Wind ou Your Song. As canções estão mais mid-tempo e, na verdade, é até mesmo difícil pensar em uma canção de The Diving Board que se encaixe na definição de single. Mesmo assim, do início ao fim, com a belíssima música-título, o disco segue de maneira que deixa os fãs mais antigos com a (boa) sensação de que podem reconhecer traços de arranjos e melodias antigas em alguns pontos específicos de cada faixa e permite aos mais jovens entender o porquê dele ter alcançado um prestígio e fama que se mantém por mais de 40 anos.

A versão lançada no Brasil é a deluxe, que incluí, além das 15 faixas do disco normal, mais quatro gravadas ao vivo nos estúdios da Capitol, nos Estados Unidos, onde fica clara a diferença entre a produção de estúdio e a verdade de uma apresentação ao vivo.

Mas depois de todos esses elogios fica a pergunta: Quão bom é esse disco? Bem, ele é melhor que Blue Moves e A Single Man, mas pior que qualquer outro disco da década de 70. É superior a Too Low for Zero e Breaking Hearts, assim como é bem mais inspirado que Songs from the West Coast (mesmo sem singles de sucesso).

Animaram-se?

 


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