Publicado por: Fernando de Oliveira | 09/01/2013

“Vovôs” do rock ganham lançamentos históricos

Grupos de rock dos anos 60 e 70 se destacam nos lançamentos e mostram que boa música não tem idade. Led Zeppelin, Rolling Stones e Queen estão entre eles

Led-ZeppelinMesmo com o vigor da juventude pulsando em veias juvenis e cheias de energia, foram alguns dos grupos mais consagrados das décadas de 60 e 70 os protagonistas de grandes lançamentos atuais. E, boa notícia para os atrasadinhos, seus lançamentos continuam em catálogo, garantindo doses intensas de solos de guitarras e canções clássicas. Led Zeppelin, Rolling Stones, Queen, Cream, The Who e a inusitada dobradinha Paul McCartney & Nirvana, se destacaram em registros audiovisuais que mostram que boa música não tem idade.

Provavelmente o lançamento de mais impacto no Olimpo do rock clássico, o CD/DVD Celebration Day (Warner), do Led Zeppelin, gravado durante a última apresentação da banda – com Jason Bonham segurando as baquetas no lugar do pai, John Bonham -, em 10 de dezembro de 2007 na 02 Arena, em Londres, como parte do show em tributo ao fundador da Atlantic Records, Ahmet Ertegun (1923 – 2006), é a prova de que o bom e velho rock’n’roll dos anos 70 ficaria muito melhor com a tecnologia atual, que permite que as apresentações se transformem em experiências quase sinfônicas.

Led Zeppelin IIO filme, que chegou a ser exibido nos cinemas, inclusive no Brasil, mostra uma banda ainda com cacife para lotar arenas e estádios em qualquer lugar do planeta. As rugas de Robert Plant e os cabelos brancos de Jimmy Page não deixam dúvidas de que o tempo passou, mas, mesmo com canções sendo tocadas alguns tons abaixo, Plant, Page e o baixista John Paul Jones desfilam 16 canções como um craque do passado usando equipamento moderno. Ou seja, jogando muito mais que os pseudo craques de hoje, mesmo com a ausência do mão pesada John Bonham.

O show está disponível em CD, DVD e Blu-ray, som 5.1 e inclui a maioria dos clássicos da banda como Black Dog, Stairway To Heaven e Rock and Roll.

O canto do cisne da Nata

cream-live-at-the-royal-albert-hall-import-blu-ray-lacrado_MLB-F-205595534_5625Em 1968, Eric Clapton, Jack Bruce e Ginger Baker tocavam juntos o que seria (até então) o último concerto do Cream, grupo que, ao lado do Jimmy Hendrix Experience, elevou o conceito de power trio a um patamar icônico. Os músicos, seus talentos e seus egos eram enormes (e com razão). Em apenas três anos de vida, o grupo lançou discos brilhantes (Disrealy Gears), canções inesquecíveis (Sunshine of Your Love e White Room) e viveu muitas brigas internas, principalmente entre Baker e Bruce.

O tempo passou, cada um seguiu o seu caminho e, em maio de 2005, Clapton reuniu os ex-companheiros para uma série de quatro shows no Royal Albert Hall, em Londres – mesmo local da apresentação final, em 1968. O registro dessas apresentações chega em versão Blu-ray em Cream Live at the Royal Albert Hall (ST2). O filme mostra muito possivelmente a última grande performance de Clapton, que parece um pouco acomodado nos últimos trabalhos, mas precisa suar a camisa e gastar sua Fender para não ser engolido pelo virtuosismo dos companheiros de banda.

As mudanças são visíveis na bateria de Baker (com menos elementos, mas ainda poderosa), na saúde de Bruce (que precisou fazer um transplante de fígado após ser diagnosticado com um câncer) e nos cabelos de Clapton. Musicalmente, o trio resgata a magia das jams e solos que os tornaram referência. Canções como I’m so Glad, White Room, Badge e Crossroads, soam melhores do que nunca. Em algumas delas, o baixo de Bruce, a bateria de Baker e a guitarra de Clapton soam até melhor que nas canções originais!

Infelizmente, os problemas pessoais nunca foram superados e, segundo Ginger Baker, não há chance desses shows se repetirem. Uma pena, já que Live at the Royal Albert Hall mostra que grandes músicos inspiram uns aos outros.

Stones comemoram 50 anos com documentário sobre turnê de 1965

STONES_3_ Um dos membros da Santíssima Trindade do rock inglês (juntamente com os Beatles e o The Who), os Rolling Stones comemoram os 50 anos de carreira com uma coletânea, duas canções inéditas, uma turnê e o lançamento de vários vídeos, incluindo o documentário Charlie is my Darling (Universal), que mostra a banda em sua turnê pela Irlanda, em setembro de 1965, logo após o lançamento de (I can’t get no) Satisfaction.

O filme mostra cenas dos shows da banda, quando a segurança era mínima e permitia que fãs chegassem até os músicos e literalmente tirassem a banda do palco. Há entrevistas com cada um dos membros – Charlie Watts, Bill Wyman, Brian Jones, Mick Jagger e Keith Richards -, mas o melhor mesmo são as cenas onde os Stones são mostrados na intimidade dos quartos de hotel, brincando e mostrando que eram antenados com os lançamentos dos rivais (cantarolam canções dos Beatles, entre outros). Engraçado também ver o desconforto de Jones com a condição de astro pop, embora fosse impossível prever o fim trágico de sua história, poucos anos depois.

Charlie is my Darling é uma espécie de A Hard Day’s Night (Os Reis do Iê-Iê-Iê), com uma trilha sonora onde se destacam Play with fire, The Last Time, Time is on my side e Satisfaction.

The Who demolidor

The Who Live in Texas coverOutro da Santíssima Trindade Inglesa, o The Who Pete Townshend (vocais, guitarra), Roger Daltrey (vocais), John Entwistle (baixo e vocais) e Keith Moon (bateria, percussão e vocais) – é representado pelo ótimo DVD Live in Texas ‘75 (ST2).

Se o Led Zeppelin de 2007 já não tinha seu bate estacas, o The Who de 1975 está completo, com o mais louco e criativo baterista de todos os tempos, mais Townshend em grande forma (e com cabelos) e Daltrey chegando aos agudos que já ficaram mesmo no passado. Chega a ser covardia comparar as apresentações – tanto em termos de desempenho, quanto de qualidade de som e imagem -, já que foram gravados com décadas de diferença, mas a batalha é boa.

Substitute, I Can’t Explain e Squeeze Box, no mesmo set de My Generation, Behind Blue Eyes e Won’t Get Fooled Again. Não tem como dar errado. Guitarras sendo destruídas, baterias demolidas e uma banda tocando apenas o melhor e mais barulhento rock de sua época. Se a filmagem não é um primor em termos técnicos (lembrem-se que estamos falando de um concerto gravado em 1975), o que a banda faz no palco é de deixar qualquer grupo da nova geração inglesa com vergonha de suas caras e bocas. Dinamite pura!

A Rainha em Budapeste

Queen hungarian rhapsodyOutro concerto de rock que chegou às telonas em 2012 foi o Hungarian Rhapsody – Queen Live in Budapest (Universal). Na verdade, Hungarian Rhapsody (ao contrário de Live at Wembley) é um documentário sobre um concerto e não o registro de um show do Queen, o que pode deixar um ou outro fã um pouco decepcionado, mas vale como complemento do registro dos shows de Wembley.

Gravado durante a Kind of Magic Tour, o DVD mostra Freddie Mercury, John Deacon, Brian May e Roger Taylor no melhor da forma e com um repertório matador, com hits como Under Pressure, Who Wants to Live Forever, Love of My Life, Crazy Little Thing Called Love e We Are the Champions, entre muitos outros.

Não importa se você achava o som do grupo pop demais, não há como negar o talento de Mercury em comandar uma plateia de mais de 30 mil pessoas. Hungarian Rhapsody pode não estar no patamar de um Last Waltz, mas dá um banho na maioria dos documentários de rock atuais.

O beatle no Nirvana

paul-mccartney-nirvana-1212Para terminar, uma mistura inusitada. Paul McCartney e os sobreviventes do Nirvana se reuniram para gravar uma canção, que foi apresentada em primeira mão no concerto em prol das vítimas da tempestade Sandy, em 12/12/12. Cut Me Some Slack (disponível na iTunes Store por US$ 1,29) traz um McCartney com vocal raivoso e Dave Grohl arrebentando na bateria, ao lado de um inspirado Krist Novoselic. O trio também apresentou a canção ao vivo durante um episódio do programa, causando furor nos fãs da banda, já que Grohl e Novoselic não tocavam juntos fazia mais de 20 anos.

Os jovens têm todo o direito de terem seus ídolos, mas mesmo o menos saudosista rockeiro da humanidade não tem como deixar de admitir que os velhinhos batem um bolão!







Uma versão desse texto também foi publicado no jornal O Fluminense


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