Publicado por: Fernando de Oliveira | 08/11/2012

Chico Buarque completa 70 anos de vida e ganha box comemorativo

O ano de 2012 é especial para a música. São muitos os artistas que comemoram datas importantes. Beatles e Rolling Stones, por exemplo, fazem 50 anos de carreira, já no Brasil, são vários os nomes que completam 70 anos de vida, com uma carreira consolidada. Dentre eles, o compositor que ficou marcado pelas letras inteligentes e de protesto contra a ditadura. O mesmo artista que se tornou uma unanimidade entre o público brasileiro, especialmente o feminino, de quem se transformou um sonho de consumo de várias gerações: Chico Buarque (que só chega aos 70 em 2014, mas ganhou essa homenagem agora).

Das muitas homenagens que recebe pela data, o lançamento da caixa De Todas as Maneiras – que reúne os 20 primeiros discos do músico (lançados entre 1966 e 1986) e mais um CD triplo recheado de raridades, participações em discos de outros artistas e até mesmo uma canção inédita (Jorge Maravilha, sobra do disco Sinal Fechado) – se transforma na melhor e mais importante delas.

Dos sambas quase ingênuos dos primeiros trabalhos até as composições mais elaboradas e igualmente geniais das décadas de 70 e 80, pode-se traçar o retrato de um compositor (e de um País) em evolução.

“Cada disco da caixa é um disco, se basta. E foi assim que nós construímos nossa relação com eles ao longo do tempo. Mas quando você se propõe a observá-los em sequência, numa perspectiva histórica, é um exercício fantástico. Ilumina uma série de questões do artista, do Brasil, da época, da formação de nossa canção até para além do próprio Chico – é esclarecedor acompanhar os reflexos da Tropicália, do rock, da cultura de massa sobre ele, um compositor de linhagem tradicional”, explica o jornalista Leonardo Lichote, responsável pelo libreto que acompanha a coleção e coloca a obra de Chico em perspectiva com a história do Brasil.

Apesar de nunca ter sido um grande cantor, é visível a evolução do Chico Buarque cantor, desde A Banda (1966), até canções como Geni e o Zepelim (1979), passando por Mulheres de Atenas (1976) e Vai Passar (1984).

Provavelmente o artista que melhor entende a alma e os desejos femininos, Chico desfila uma série de composições que ganharam vida na voz de várias cantoras ao longo dos anos, ele também foi um dos que mais sofreu com as incoerências da censura, sempre driblada com o talento de um craque que, apesar da paixão pelo futebol, nunca conseguiu reproduzí-la nos gramados.

Raridades

Mas, para os fãs ocasionais e os completistas, o grande atrativo de De Todas as Maneiras é o CD triplo que reúne os registros – alguns deles famosos e essenciais na carreira de Chico – lançados em discos de outros artistas, em projetos especiais e compactos.

“Pesquisamos desde vinis de minha própria discoteca a sites de referência da MPB e também na nossa memória afetiva. A música João e Maria, por exemplo, fez parte da minha infância. Entretanto, o grande chamariz do CD triplo é a gravação inédita de Jorge Maravilha, que foi descoberta quando o CD já estava praticamente fechado. Não tinha como ficar de fora”, conta Cleodon Coelho, responsável pela compilação.

Nesse CD ainda podem ser encontradas músicas que entraram na trilha sonora do filme Garota de Ipanema (1967), O Cio da Terra e Primeiro de Maio – lançadas em um compacto com Milton Nascimento, em 1977 -, a versão de Bye Bye Brasil, também lançada em compacto, e canções que se tornaram sucesso como Isso aqui tá bom demais, gravada em dueto com Dominguinhos e lançada no LP do último, em 1985.

“Se fosse possível fazer um disco com todas as participações ou gravações avulsas que ele fez no período que a caixa abrange (1966-1985), daria um disco quíntuplo, pelo menos. Por isso, o mais difícil foi abrir mão de algumas faixas. O CD triplo tem uma linha conceitual: o primeiro tem uma batida forte de samba; o segundo tem um aspecto político bem evidente; e o terceiro mostra um Chico mais lírico”, explica Cleodon.

O cotidiano, o amor e a malandragem carioca, alguns dos temas recorrentes no cancionário do compositor, se unem em um universo repleto de imagens e sons. Canções como Roda Viva, Construção, Deus lhe Pague, Meu Caro Amigo, Homenagem ao Malandro, Pivete, Feijoada Completa e Cálice, traçam a trajetória de um artista que nunca se acomodou e sempre surpreendeu pela elegância, inteligência e uma simplicidade originalmente complexa, seja na música, no cinema, teatro ou literatura. E De Todas as Maneiras se transforma em um documento, um relato, um retrato da evolução política e econômica de um país e de um cantor e compositor que soube como ninguém registrar a realidade que está ao seu redor.

Os discos da caixa

Chico Buarque de Hollanda – Volume 1 (1966)

Chico Buarque de Hollanda – Volume 2 (1967)

Chico Buarque de Hollanda – Volume 3 (1968)

Chico Buarque de Hollanda – Nº 4 (1970)

Construção (1971)

Quando o carnaval chegar (1972)

Caetano e Chico – Juntos e ao vivo (1972)

Calabar – O elogio da traição (1973)

Sinal fechado (1974)

Chico Buarque & Maria Bethânia – Ao vivo (1975)

Meus caros amigos (1976)

Os saltimbancos (1977)

Chico Buarque (1978)

Ópera do malandro (1979)

Vida (1980)

Os saltimbancos Trapalhões (1981)

Almanaque (1981)

Chico Buarque en español (1982)

Chico Buarque (1984)

Malandro (1985)

Ópera do malandro (1986)

CD triplo com Raridades


Esse texto também foi publicado no jornal O Fluminense


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Categorias

%d blogueiros gostam disto: