Publicado por: Fernando de Oliveira | 22/05/2013

Os “mauricinhos e patricinhas” do Bolsa Família

Bolsa Família IINo último fim de semana uma série de boatos envolvendo o programa Bolsa Família inundou o país, através da internet e do bom e velho boca a boca. Os rumores eram vários – fim do programa, depósito de uma quantia extra, etc – e ocasionaram filas enormes nas agências bancárias, confusão e até quebra-quebra (com hífen?). Porém, o que mais me impressionou foi o nível das pessoas que foram procurar o seu benefício e as explicações sobre como souberam das notícias.

Até onde eu saiba, o Bolsa Família é destinado para pessoas de baixíssima renda (que recebem entre R$ 70 e R$ 140), o que me leva a crer que são pessoas humildes, que moram em locais distantes e, consequentemente, têm pouca instrução. Porém, o que se via eram pessoas bem vestidas, crianças muitíssimo bem alimentadas e cuidadas (ainda bem). Algumas delas chegaram a afirmar que souberam dos boatos pela internet?

INTERVALO

Como assim, soube pela internet?? Pessoas que recebem o Bolsa Família têm internet em casa?

FIM DO INTERVALO

Bolsa Família IPelo jeito o assistencialismo, o jeitinho e a corrupção estão falando bem mais alto na hora de escolher quem deve ter direito ao benefício. Aliás, a quantidade de Bolsas que existem é de assustar. O Auxílio Reclusão, por exemplo, é maior do que a maioria das aposentadorias pagas no país! Gente, na boa, até achava justo cotas para negros e pobres e alguns desses auxílios monetários, mas o uso desses mecanismos para beneficiar quem não merece e angariar votos é nojento.

Será que essas políticas populistas vão mesmo ajudar no desenvolvimento do nosso país?

PS: A culpa não é apenas dos políticos, mas também da parte da população que prefere chupar qualquer ganho fácil (eco da Lei de Gérson).

Publicado por: Fernando de Oliveira | 21/05/2013

Duofel pulsando Música Popular Brasileira

capa em altaFormado em 1978 pelos músicos Fernando Melo e Luiz Bueno, o Duofel vem escrevendo um dos capítulos mais bonitos da música instrumental brasileira. Exímios violonistas, a dupla encanta com arranjos criativos e sonoridades nada óbvias, seja em composições próprias ou de mestres do erudito ou popular, como os Beatles.

O novo trabalho do duo é o elegante e excelente Duofel pulsando MPB (selo Fine Music), onde os diversos violões recriam canções de gênios da nossa música, como Chico Buarque (Construção/Cotidiano/Deus lhe Pague), Tom Jobim e Vinícius de Morais (Água de Beber), Dorival Caymmi (O Vento), Geraldo Vandré (Disparada) e Egberto Gismonti e Geraldo Carneiro (Palhaço).

Sempre longe do lugar comum, Luiz e Fernando dão novas roupagens e encontram acordes escondidos e que se encaixam perfeitamente no contexto de cada uma das interpretações. Difícil explicar o que eles fazem com cada uma das canções, seja com os violões de seis ou 12 cordas, ou com o uso de arcos.

O resultado é sempre a abertura de um novo horizonte, mesmo para os temas mais familiares. Exatamente como diz o texto de divulgação que acompanha o disco. O Duofel constrói sons como verdadeiros artesãos.

O Duofel é daquelas coisas que nos dá orgulho de ser brasileiro.

Uma versão desse texto também foi publicado no jornal O Fluminense

Publicado por: Fernando de Oliveira | 20/05/2013

Miltinho – O rei do sambalanço revisado

Box MILTINHO 1 perspectivaContinuando o trabalho de resgate da memória musical de grandes nomes da MPB, o selo Discobertas reedita 12 discos lançados pelo cantor Miltinho, considerado o rei do sambalanço, na década de 60. Os discos vêm em duas caixas de seis CDs cada - Miltinho Anos 60 Vol. 1 e Miltinho Anos 60 Vol. 2 – e trazem alguns discos primordiais para entender o grande sucesso alcançado pelo artista.

Pode ser que muitos dos jovens fãs de samba apenas conheçam algumas das canções que se tornaram conhecidas por conta da interpretação cheia de bossa de Miltinho na voz de artistas da nova geração, mas músicas como Samba do Balanço dificilmente terão registro mais singular do que os de Miltinho.

Box MILTINHO 2 perspectivaNa primeira caixa estão os discos Um Novo Astro (1960), O Diploma do Astro (1960), Miltinho (1961), Poema do Adeus (1961), Miltinho é Samba (1962) e Poema do Olhar (1962). Já na segunda, encontramos Os grandes sucessos de Miltinho (1962), Eu… Miltinho (1963), Canção do nosso amor (1963), Bossa & Balanço (1964), Poema do Fim (1965) e Miltinho ao Vivo (1965), quase todos indispensáveis para o entendimento de uma época onde a quantidade de influências em nossa música era combustível para uma variedade de perfis que talvez nunca mais se repita.

Mas não pense que tudo é ritmo e balanço. Há lamentos, baladas e sambas tristes. Tudo com um belo trabalho de remasterização, que passam por cima de qualquer deficiência técnica dos estúdios de gravação tupiniquins daquele tempo.

Esse texto também foi publicado no jornal O Fluminense

Publicado por: Fernando de Oliveira | 19/05/2013

The Rolling Stones Crossfire Hurricane

Filme oficial conta os 50 anos de carreira da icônica banda de rock

stonescrossO filme oficial que conta os 50 anos de carreira dos Rolling StonesCrossfire Hurricane (ST2) – é bem a cara da banda: uma grande confusão que funciona. Ao contrário dos Beatles, que, assim como eram os “bons rapazes” e seu Anthology é uma perfeita cronologia, Crossfire Hurricane segue a lógica nem sempre correta dos Stones. Baseado em entrevistas recentes com todos os membros oficiais da banda em todas as suas formações (com exceção de Brian Jones, claro), o filme mostra em pouco mais de 2 horas a história da maior banda de rock de todos os tempos.

Com várias cenas tiradas dos DVDs lançados recentemente com material da banda - Stones in Exile, Ladies and Gentlemen, Charlie is My Darling e Some Girls – episódios da trajetória do grupo são narrados com o que resta de memória de Keith Richards, Mick Jagger, Charlie Watts, Bill Wyman, Ron Wood e Mick Taylor. Aliás, ótimo ver que os atuais Stones tiveram a humildade de usar Bill Wyman como consultor histórico. Não apenas o ex-baixista sempre foi o que mais se preocupou em preservar o legado da banda, como era o único que, por exemplo, passou ao largo do vasto coquetel de drogas que regava a vida dos seus companheiros, transformando-o em uma fonte bastante confiável.

Como todo produto oficial, a maior parte das podridões é deixada de lado ou amenizada. A decadência física e mental de Brian Jones, por exemplo, é até bastante comentada, mas bem pouco mostrada em imagens. O mesmo acontece com o episódio da saída de Mick Taylor, onde apenas o próprio guitarrista parece dar um depoimento verdadeiro sobre o caso.

Crossfire Hurricane é essencial para os que gostam do bom e velho rock’n’roll e para quem curte o som dos feiosos anti-Beatles.


Uma versão desse texto também foi publicado no jornal O Fluminense

Publicado por: Fernando de Oliveira | 18/05/2013

A soberba do futebol brasileiro

Campeonato-Brasileiro-2012Ao contrário do que pregava Nelson Rodrigues, que dizia que tínhamos um “complexo de vira-latas“, o futebol brasileiro parece estar acometido (já faz um bom tempo) de uma inexplicável soberba. Depois de termos seleções, times e jogadores de primeira linha – apesar da péssima situação econômica do país -, nossos dirigentes, torcedores e jornalistas parecem viver em uma realidade paralela que em nada ajuda o desenvolvimento do velho esporte bretão.

Parece que as péssimas apresentações da Seleção Brasileira (que está na posição mais baixa no ranking da Fifa desde que este foi implantado) e as diversas transmissões de jogos da Europa (praticamente diários) não são suficientes para fazer com que técnicos dirigentes, torcedores e (mais uma vez) jornalistas parem para refletir sobre a razão desse nosso declínio. Declínio que é maquiado sempre que algo de importância duvidosa acontece a nosso favor, como foi a classificação de seis times brasileiros para a fase de mata-mata da Copa Libertadores.

Foi um festival de declarações exaltando a força de nossos elencos, a qualidade técnica de nossos jogadores, a excelência de nossos treinadores… Afinal, o Boca Juniors está meia boca, o Tijuana é fraco, assim como o Olimpia e todos os outros times da América do Sul. Era a prova de nossa superioridade e de que podemos, sim, entrar como favoritos em qualquer competição, mesmo que alemães, argentinos, espanhóis e italianos também estejam nela.

O resultado? Das seis potências, apenas quatro passaram pelos seus adversários, sendo que um dos confrontos era entre brasileiros. O único classificado contra estrangeiro – o Fluminense – teve de suar sangue para conseguir a sua vaga. Os três paulistas – São Paulo, Palmeiras e Corinthians – não mostraram força para superar adversários mais fraco” e agora falam até em complô contra brasileiros e não em má qualidade de jogadores ou esquemas.

Até quando vão insistir em comparar o Neymar ao Messi, em convocar o Julio Cesar, em ressuscitar o Felipão, em não mudar o colégio eleitoral da CBF, em não ver que tudo precisa mudar?

Até mesmo as diferenças regionais que poderiam nos dar alguma vantagem (ou causar problemas para as outras seleções na Copa) foram abandonadas. O gramado do Maracanã foi diminuído, a grama do Mineirão – que sempre foi muito alta e fazia o jogo ficar mais lento – foi aparado e ficou parecido com os gramados ingleses, o sol que faz no Norte do país, assim como a grande distância com o Sul, deixou de ser uma arma para “cansar” nossos adversários (dane-se a logística de deslocamento). Enfim, vencer vai ser (tomara que não) impossível.

Hora de vestir as Sandálias da Humildade!

Publicado por: Fernando de Oliveira | 15/05/2013

Paul McCartney in Fortaleza – 9 de maio de 2013

Paul McCartney BRASIL 2013Finalmente o fim” da saga de Paul McCartney em terras brasileiras nesse primeiro semestre. Infelizmente não pude estar presente ao último concerto de Paul, que mais uma vez não mudou o setlist e o mais inusitado ficou por conta de um casal que subiu ao palco para que o namorado pedisse a namorada em casamento (veja o vídeo).

Paul termina o giro pelo Brasil com um show pronto, embora ainda devam aparecer surpresas no repertório. A estada por aqui foi tão boa que Paul enviou uma mensagem ao público brasileiro (leia abaixo).


Aproveito para colocar também a página em português que foi incluída no programa da turnê brasileira e que conta com alguns pitacos meus.

O público brasileiro é incrível, e essa é a razão de nós voltarmos. Todos os shows dessa semana foram incríveis. A multidão foi simplesmente maravilhosa e é claro que em Goiânia, com a presença dos gafanhotos, foi inacreditável. Ninguém viu que eles estavam vindo!

Eu quero agradecer a todos que vieram nos ver, nós tivemos um grande momento. Eu, a banda e toda a equipe tivemos uma experiência maravilhosa, e em parte o mérito é da reação da plateia. Então, obrigado a todos por serem tão legais, por estarem sempre prontos para se divertir e por amar nossa música.

Paul McCartney

Programa Out There em português

Leia sobre os shows de Belo Horizonte e Goiânia

Foto: Marcos Hermes/Divulgação

 

Paul McCartney BRASIL 2013Depois da parada em Belo Horizonte, Paul e sua trupe foram para Goiânia, para um show no Serra Dourada, em uma improvável segunda-feira. Confesso que tive medo do show se tornar um fracasso de público, pelo local, pela distância, os preços e a falta de tradição da cidade em receber um evento desse porte. Jamais imaginaria que o show acabaria se transformando em um dos momentos mais marcantes de todas as apresentações de Paul por essas bandas.

Se o repertório não mudou nem uma vírgula, a banda estava bem mais ajustada e as canções novas foram executadas com muito mais segurança, embora Paul tenha errado duas vezes na abertura de Hi Hi Hi, provando, segundo ele, “que estamos tocando ao vivo“, o concerto foi marcado pela invasão de uma nuvem de gafanhotos que tomou conta do palco e dividiu o espetáculo com os músicos da banda e, principalmente, Paul. Minha impressão de que havia algo estranho começou logo ao entrar na pista vip e olhar para os telões. Eles estavam cheios de pontos escuros que pareciam buracos, coisa pouco comum para os shows de Macca, que sempre utiliza material de primeira, mas…vai que… Quando Chris Holmes – DJ que faz um esquenta antes do show de Sir Paul – começou o seu set alguns insetos (que até ai eu achava que eram mariposas) começaram a voar, de maneira inocente. Porém, quando o filme que antecede a entrada dos músicos começou é que eu tive noção de que eram insetos mais parrudos. Preocupação total!

Paul McCartney Out There Tour 2013Entrando no palco com um terno rosa, Paul não parecia ter notado a presença dos seus amiguinhos alados. Como disse antes, Paul não inovou no repertório (coisa rara), parecendo mais preocupado em azeitar as novas canções e a estrutura do novo palco do que em acrescentar mais novidades ao set. Essa decisão reforça a minha tese de que os artistas não precisam se reinventar a cada novo lançamento, a cada nova turnê, basta fazer bem o que sabe, com uma pequena apimentada no molho. É infalível.

Se nas primeiras canções os insetos pareciam não incomodar (embora as fotos mostrem que já havia um deles no terno de Paul desde a primeira música), foi ele ir para o primeiro set ao piano que a coisa se complicou de vez. A luz sobre Paul, que a essa altura já estava apenas com sua camisa branca, foi mortal. Nuvens dos bichos alados voaram sobre e pousaram no ex-beatle, que levou tudo na boa – tenho certeza de que a maior parte dos grandes astros teria simplesmente desistido do concerto.

Paul McCartney Out There Tour 2013Vale ressaltar que o som de Goiânia foi o melhor que já ouvi em um concerto de McCartney até hoje. Simplesmente perfeita a qualidade e mixagem, provavelmente em decorrência do esporro que deve ter rolado depois dos problemas em Belo Horizonte e que foram algo totalmente incomum para um concerto de alguém tão perfecionista quanto Sir Paul.

Harold – O Gafanhoto – vira um astro

A coisa ficou tão fora de controle que um dos gafanhotos tentou entrar no ouvido de Macca, fazendo-o perder o rumo durante My Valentine. Paul aproveitou para adotá-lo e apresentá-lo ao público. Assim nasceu Harold (veja o vídeo abaixo), que virou celebridade em jornais de todo o mundo.

Harold acabou fazendo backing (bem, Paul tentou) em várias canções e, apesar do incômodo visível de Wix e Abe, o show foi bem até o fim, com Paul esticando algumas canções, como no solo de The End.

Goiânia I - MJ KimDepois do show, os músicos postaram tweets bem-humorados, perguntando se no próximo show iriam encontrar sapos voadores ou dizendo que se os gafanhotos quiserem entrar na banda, precisam ensaiar mais. Alguns dias depois, Paul postou um vídeo onde é possível ter uma ideia de como foi a invasão verde.

Um adendo

Sei que vou ser massacrado, mas tenho que comentar. O que é Goiânia? Uma cidade que tem várias ruas com o mesmo nome, pouquíssimos lugares abertos até tarde (mesmo com um show dessa envergadura e não contando os podrões) e uma total falta de atrativos. Vale pelo povo, super simpático e prestativo, mas só.


Fotos: Marcos Hermes e MJ Kim

Paul McCartney BRASIL 2013Paul McCartney repaginou a sua Disneylândia musical nesse giro 2013 pelo Brasil. O show da noite do sábado (4 de maio) no Mineirão, em Belo Horizonte, levou os mais de 52 mil fãs presentes, muitos deles constituídos de pais que levaram seus filhos para conhecer o dono – pelo menos intelectual – de um dos maiores e mais amados catálogos musicais de todos os tempos. E quem esteve lá não se decepcionou. Paul, que subiu ao palco poucos minutos antes do horário previsto, 21h30, manteve a estrutura de suas últimas turnês, misturando canções dos Beatles, Wings e da carreira solo, todas amplamente conhecidas e cantadas a plenos pulmões por uma platéia, mas mostrou suas armas logo na primeira canção da noite, Eight Days a Week, que só havia sido tocada ao vivo uma vez pelos Beatles e nunca por Paul em sua carreira solo*- *essa informação foi divulgada até no site oficial do Paul, mas juro que nunca vi essa performance. Lembro apenas deles dublando a música em um programa de TV -, mas essa era apenas a primeira surpresa da noite!


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Hipnotizada pelo carisma e simpatia de um artista que faz questão de agradecer sempre, demonstrar a sua satisfação e ainda binda os locais com palavras e frases tipicamente mineiras – “Povo bão” e “Ê trem bão, sô”, por exemplo – o público foi brindado com várias novas canções, algumas delas tocadas pela primeira vez em qualquer lugar do planeta, como os casos de Your Mother Should Know, All Together Now, Being For The Benefit Of Mr. Kite e Lovely Rita, além de resgatar algumas canções que não eram interpretadas faz muito tempo, algumas delas esquecidas por mais de 30 anos, como Hi Hi Hi, Listen to What the Man Said e Another Day (que foi tocada pela última vez em 1993). Uma mudança de quase 1/3 do repertório das apresentações anteriores no país, um recorde em termos de Paul McCartney, que ainda tem algumas canções ensaiadas e guardadas na manga para os próximos shows. Mas, apesar de sua turnê Out There ser totalmente nova – alguns elementos, são similares a Up and Coming e On the Run, que passaram pelo Brasil em 2010, 2011 e 2012 – Paul surpreendeu. O palco, apesar de contar com uma plataforma que subia vários metros levando Paul literalmente as alturas, era distribuído de maneira similar, permitindo ao músico se dividir entre baixo, guitarra, violões e pianos com naturalidade. As novas canções funcionaram perfeitamente e trouxeram um ar de novidade para brinquedos que são mais que manjados mas que todos adoram, como Hey Jude e Yesterday.

Paul McCartney BRASIL 2013- Foi emocionante. Todas as vezes ele consegue fazer trazer algo novo que acaba nos deixando com um sorriso involuntário no rosto – disse Francisco Henrique Ribeiro, veterano de 12 shows de McCartney e que viajou do Rio para acompanhar mais essa apresentação.

A turnê de Paul McCartney segue ainda para Fortaleza, onde o ex-beatle se apresenta na quinta-feira, dia 9. Fica a torcida para que o músico continue vindo ao Brasil e resolva repetir o histórico concerto que realizou em 1990 no Maracanã, quando 184 mil pessoas lotaram o estádio, colocando o evento até mesmo no Livro dos Recordes.

Mantendo o legado Beatle, Paul McCartney surpreendeu com as mudanças no repertório. Não mostrou nenhuma canção do novo disco – que será lançado ainda este ano – e usou como base para as novidades o período mais psicodélico dos Beatles, entre 1967 e 1968. Dessa época o músico buscou de seu catálogo canções como Your Mother Should Know, All Together Now, Lovely Rita e Being For The Benefit Of Mr. Kite (essa do eterno parceiro John Lennon).  Os outros números que debutaram em Belo Horizonte foram pinçadas da sua carreira solo e do seu período com os Wings, com destaque para a versão de Hi Hi Hi, fiel ao compacto e bastante diferente da tocada em 1976.. As escolhas foram certeiras, pois além de surpreenderem, mostraram total compreensão de como dominar uma platéia.

Depois de Ob-La-Di, Ob-La-Da e Mrs. Vandebilt – canções que estão longe de serem obras primas, mas que se tornaram preferidas do público – é a vez da simpática bobagem musical All Together Now cair nas graças do público. Com uma letra inofensiva, mas um refrão que sugere a participação de todos, a canção acabou sendo um dos pontos altos da apresentação de Paul. Segundo as más línguas, McCartney ainda teria mais surpresas preparadas para suas próximas apresentações.

*Confira os vídeos de algumas das novas canções apresentadas por Paul em primeira mão no Brasil






Paul McCartney BRASIL 2013Set list (Belo Horizonte)

** Eight Days a Week
Junior’s Farm
All My Loving
**Listen to What the Man Said
Let Me Roll It
Paperback Writer
My Valentine
1985
The Long and Winding Roa
Maybe I’m Amazed
Hope of Deliverance
We Can Work It Out
**Another Day
And I Love Her
Here Today
**Your Mother Should Know
Lady Madonna
**All Together Now
Mrs. Vandebilt
Eleanor Rigby
**Being For The Benefit Of Mr. Kite
Something
Ob-La-Di, Ob-La-Da
Band On The Run
**Hi Hi Hi
Back In The USSR
Let It Be
Live And Let Die
Hey Jude

Bis
Day Tripper
Lovely Rita
Get Back

Bis II
Yesterday
Helter Skelter
Golden Slumbers/Carry that Weight/The End

Imagina na Copa

Paul McCartney BRASIL 2013Mas nem tudo foi festa e alegria. O Mineirão voltou a apresentar vários problemas e até mesmo o som do espetáculo deu uma rateada, falhando durante as canções Ob-La-Di, Ob-La-Da e Band On The Run. Quem chegou antes das 17h encontrou um ótimo esquema de trânsito e tranqüilidade do lado de fora do estádio, nenhum cambista ou camelô. Porém, essa situação foi mudando a medida que a hora do show se aproximava.

A primeira reclamação foi por conta da falta de ordem das filas, com muita falta de informação por conta da organização e falta de educação do público, que teimava em furar fila, protagonizando episódios que só terminaram com a intervenção da polícia. Depois, a constatação de que esqueceram de pensar na iluminação do entorno do Mineirão. Por volta das 18h já era praticamente impossível enxergar algo com clareza e os poucos postes com lâmpadas se mostraram totalmente insuficientes – um convite aos ladrões. Dentro do estádio, as mesmas reclamações dos eventos anteriores: banheiros insuficientes, sem água, comida cara e, para piorar, um encanamento de esgoto estourou, deixando parte de um dos corredores impraticável, literalmente na merda. Na saída, outro caos. O trânsito deu um nó e um percurso de pouco mais de 15 minutos se transformou em uma maratona de mais de 1h30. As autoridades terão muito trabalho para superar essas deficiências ou o bordão “imagina como vai ser na Copa” vai ser mais do que adequado.

Além dos problemas relatados no parágrafo anterior, fica também a constatação de que a rede hoteleira também precisa se preparar melhor. O pós-show foi um avanço ao bar do hotel onde estava, que fechou mais cedo já que todos os produtos comestíveis foram devorados pelos fãs mais famintos e mais rápidos. Sobrou o velho e bom podrão!

Fãs sortudos e endinheirados pagam caro e assistem ao ensaio antes do show

EbonySe os preços dos ingressos normais para os shows de McCartney no Brasil já não são muito baratos – entre R$ 150 e R$ 600 – o que pensar em pagar mais de US$ 1,5 mil? Esse é o preço que se paga pelo pacote Hot Sound que dá o privilégio de, além de chegar mais cedo e almoçar um cardápio vegetariano especialmente preparado para esses abastados, assistir ao soundcheck (passagem de som) que Paul e a banda fazem antes das apresentações. Nesses pequenos shows particulares (nunca para mais de 250 pessoas e que duram entre 40 minutos e 1h30) McCartney toca canções que normalmente não fazem parte do repertório da apresentação que fará a noite e não economiza a garganta. Não são poucos os rocks e canções gritadas executadas por ele (Blue Suede Shoes, Birthday e Honey Don’t, são figurinhas fáceis nos soundchecks).

- Durante o show, sem dúvida é emocionante ouvir o Paul cantar músicas lendárias como Yesterday e outros grandes clássicos. Mas ainda que o som esteja perfeito, existem aproximadamente 60 mil pessoas gritando, chorando, falando e cantando. Na passagem de som, a sensação de ouvir o som de forma extremamente limpa e clara, é fenomenal. Isso sem falar na interatividade com o público, que sem dúvida é muito maior.”, explica o economista Raphael Xavier Gomes Alves, de 26 anos, um veterano de cinco hotsounds.

Outra possibilidade que atrai os fãs é a chance de Paul chamar alguém para cantar com ele no palco alguma canção ou aceitar a sugestão de alguém da plateia e cantar uma música específica.

- O momento mais marcante ocorreu no dia 22 de maio de 2011, aproximadamente às 16h30, quando, após ler o cartaz que eu estava segurando, O Paul olhou pra mim e  disse: “Ok, vou tocar para você então, ok? Para você…” e começou a tocar Ebony and Ivory, que estava escrito no meu cartaz. Como se soubesse que eu estava duvidando que aquilo estava acontecendo, logo após terminar a música ele disse “Foi pra você, ok? Pra você!”. Eu fiz um sinal de “Ok” com a mão e aplaudi”, conta Raphael.

Raphael soundcheck PaulMas, mesmo tendo bala na agulha para pagar mais de R$ 3 mil por um ingresso fica a dúvida: vale a pena?

- Sem dúvida. Depois de ir pela primeira vez em Porto Alegre (2010), resolvi repetir a loucura em 2011, quando ele foi tocar no Engenhão. Um amigo meu, que, como eu coleciona discos e vídeos de Paul McCarney e que tem bem mais dinheiro que eu, me ligou dizendo que era um absurdo gastar tanto dinheiro para ver mais 1h de apresentação. Expliquei que foi o dinheiro mais bem gasto da minha vida e que essa era uma extravagância que alguém que coleciona a música de Paul por mais de 30 anos pode ter. No fim, ele foi e ainda levou a filha e a irmã”, diz um outro veterano de soundcheks que preferiu não ter seu nome divulgado.

Para quem não pôde ou pode bancar essa extravagância (que é vendida apenas através do site do próprio McCartney), fica o registro do que ele tocou em Belo Horizonte.

Soundcheck (Belo Horizonte)

Blue Suede Shoes
Got To Get You Into My Life
Sing The Changes
Let ‘Em In
Calico Skies We Can Work It Out
Eight Days A Week
Being For The Benefit Of Mr. Kite
Lovely Rita
Another Day
Hope Of Deliverance
Listen To What The Man Said
Hi Hi Hi
All Together Now
Your Mother Should Know
Blackbird

Fotos: Marcos Hermes e Pedro Carrilho/Divulgação

Vídeos: Jo Nunes

Uma versão editada desse texto também foi publicada no jornal O Fluminense

Publicado por: Fernando de Oliveira | 09/05/2013

Bye bye Paul em Fortaleza

Paul Mccartney Out There

Por razões de força maior não estarei presente ao show de Paul McCartney em Fortaleza, mas posto ainda hoje como foram as apresentações em Belo Horizonte e Goiânia.

Paul, até a próxima!

 

 

 

Publicado por: Fernando de Oliveira | 02/05/2013

Paul, eu também estarei lá – “Out There”

??????????????Está chegando a hora. Neste sábado, pelo quarto ano consecutivo, Paul McCartney me faz viajar pelo Brasil para assistir alguns de seus shows (alguns apenas como público e outros “a serviço“). Para quem achava que a vinda em 1993 (SP) poderia ter sido a última, já que foram 17 anos antes da volta (antes apenas dois shows no Maracanã), Sir Paul já está se tornando (graças a Deus) figurinha fácil em terra brasilis.

Se das vezes anteriores tudo era mais ou menos previsível, dessa há um frisson muito maior por conta das mudanças prometidas para a nova turnê. Ninguém sabe com certeza como será o pré-show, o palco ou quais músicas ele irá tocar. O mundo vira os olhos para o Brasil, não apenas por conta do ex-beatle, mas também para saber como vai funcionar um evento desse porte na estrutura montada em um dos “novos” estádios da Copa do Mundo.

Os que se aventurarem em ler este blog vão ter relatos sobre o show e o seu entorno. Espero que me leiam!

Relembre como foram as turnês de Paul pelo Brasil em 2010, 2011 e 2012

See you in Belo Horizonte!

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Publicado por: Fernando de Oliveira | 02/05/2013

Stray Cats Live at Montreux 1981

STRAY CATS - LIVE AT MONTREUX 1981O rockabilly, ritmo que embalou muitas danças nas décadas de 1950 e 1960, é irresistivelmente dançante. O Stray Cats, formado em 1980 pelo guitarrista Brian Setzer, o baixista Lee Rocker e o baterista Slim Jim Phantom, logo se tornou ultrapopular ao resgatar o gênero. Agora, a ST2 coloca no mercado brasileiro o DVD Stray Cats Live at Montreux 1981, capturando o grupo no auge da fama.

Claro que o sucesso não era apenas por conta do saudosismo. O Stray Cats juntava um visual meio punk com boas canções de rock e, claro, clássicos como Be Bop a Lula, numa mistura explosivamente energética.

O repertório conta com os sucessos de início de carreira – Runaway Boys, Stray Cat Strut e Rock This Town – e coloca a plateia de Montreux em estado de graça.



Um versão deste texto também foi publicado no jornal O Fluminense

Publicado por: Fernando de Oliveira | 01/05/2013

O Adult-Oriented Rock de Ed Motta

LAB 10153-2 Livreto.inddDepois de um razoável período sem lançar um trabalho novo, quando se envolveu em algumas polêmicas, arrumou algumas inimizades e, quem sabe, fechou algumas portas, Ed Motta está de volta com AOR – sigla para Adult-Oriented Rock ou Album-Oriented Rock -, lançado pela gravadora Lab 344.

O disco, como o próprio título sugere, é uma “volta” ao som mais balançado e suingado, típicos do cantor/músico/arranjador, que andava meio sumido em várias de suas obras – como em Dwitza (2002) ou Aystelum (2005) – e que vinha sendo lentamente retomada nos últimos trabalhos. AOR remete ao som criado por nomes como Marcos Sabino, Biafra ou Christopher Cross, isso sem nenhum tom de ironia ou crítica.

Ed Motta é sempre polêmico, mesmo quando não faz nada para isso. Seus trabalhos são sempre divididos entre os que os consideram ótimos e os que acham tudo superficial. Vira e mexe há alguma comparação (injusta) com o tio Tim Maia, o que nunca faz bem para a sua música.

AOR tem todos os elementos com os quais Motta se consagrou como um dos mais competentes e sofisticados artistas da nossa música. Os arranjos são complexos, sem perder o foco na melodia, o baixo de Rubinho Tavares mantém a pulsação na maioria das faixas e os vocais com scats e cheios de personalidade estão lá.

O álbum – gravado entre maio e setembro de 2012 – conta com várias parcerias (Rita Lee, Adriana Calcanhoto e Chico Amaral, entre outros), algumas composições solo e a participação de uma ótima banda, tendo como um dos destaques o saxofonista niteroiense Marcelo Martins. Infelizmente, o repertório é irregular e alterna ótimas faixas – como Episódio - com outras menos inspiradas – como S.O.S Amor -, o que nos faz dar ainda mais valor aos ótimos arranjos das canções.

AOR é um bom trabalho, onde Ed Motta mostra qual o seu caminho e deixa a impressão de que o melhor ainda está por vir. Uma boa audição para todos os que gostam do estilo “AOR balançado“.


Esse texto também foi publicado no jornal O Fluminense

Publicado por: Fernando de Oliveira | 30/04/2013

A Globo e a decisão de retirar os links do Facebook

Revista ÉpocaDemorou para acontecer, mas aconteceu: alguns “executivos” e/ou “especialistas” chegaram à conclusão (no início do mês) de que a divulgação de links com matérias dos veículos da Globo no Facebook prejudicavam o tráfego nos sites controlados por eles. Por conta disso, enviaram um e-mail aos funcionários proibindo essa divulgação nos canais oficiais da Editora Globo, jornal O Globo e G1 – por algum motivo a TV Globo ficou de fora dessa diretriz.

Segundo a empresa, um estudo mostrou que as pessoas estavam usando o Facebook como um RSS, lendo apenas a chamada, sem ir até o site para ver toda a notícia.

Ok. Não vou discutir a qualidade e validade da pesquisa, mas acho mais que válido discutir a qualidade da medida tomada para reverter ou redirecionar esse desvio. Parece àquela mentalidade de gestores de segurança – que preferem proibir todos os acessos para evitar falhas na segurança – ou dos maridos traídos – que preferem tirar o sofá da casa para evitar que a esposa o traia com alguém no móvel.

jornal O GloboA decisão lembra a velha briga entre mídias tradicionais e digitais (algo que eu até pensava já tinha acabado em muitas empresas) e me incentivou a escrever sobre ela, antes mesmo de ler a opinião de um dos gurus da internet – assunto sobre o qual farei um post -, o britânico Andrew Keen: historiador, cientista político e autor do best-seller O Culto do Amador, no site do Meio & Mensagem. Assim como eu, ele acha que a decisão da Globo foi “estúpida e imprudente“.

Será que ninguém pensou na repercussão negativa da iniciativa ou acharam que o burburinho criado valeria o risco? Acho que perderam a chance de aproveitar o desmanche no “‘conglomerado“‘ (com aspas triplas) do bispo.

Publicado por: Fernando de Oliveira | 29/04/2013

Ringo Starr no Brasil em outubro

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Tá ficando difícil viver em um país rico como o Brasil. Depois dos shows de Paul McCartney e do Rock in Rio, acabam de confirmar a vinda de Ringo Starr e sua All-Stars Band em outubro (São Paulo e Curitiba), nos dias 29 e 31. Acho que vou me mudar para algum país onde aconteçam menos shows. Estou pensando na Inglaterra, o que acham?

Publicado por: Fernando de Oliveira | 28/04/2013

Homem de Ferro 3 – A crítica

homem-de-ferro-3-poster-nacional-615x878Primeiro um aviso: se você ainda não viu o filme, não leia esse texto. Caso já tenha visto ou apenas não ligue muito em saber a história do filme, vá adiante.

Ainda antes de começar a falar do longa propriamente dito, um comentário: é impressionante como empresas do porte da Disney ou da Sony Music podem tomar decisões mesquinhas (em termos de economia). Não fazer uma cabine no Rio de Janeiro (limitando o número de veículos que puderam enviar alguém até São Paulo para ver o filme antes do lançamento é indefensável) acabou fazendo com que essa crítica só pudesse ser postada hoje (uma pena para os meus três leitores). Falta de dinheiro eu garanto que não foi. Talvez uma certa soberba em achar que seu produto seja tão importante que não mereça esse esforço. Who knows?

O filme

iron-man-3Homem de Ferro 3 vai dividir opiniões (ponto). Enquanto os mais puristas vão detestar o filme, os amantes dos filmes de ação devem apenas gostar dele, enquanto o público feminino parece considerá-lo o melhor da série. E, por mais estranho que pareça, todas as opiniões têm ótimos argumentos para sustentá-las.

Quem gosta de quadrinhos vai dizer que, de uma só vez, o filme acaba com dois pilares da história de Tony Stark: o Mandarim, um dos maiores inimigos de Stark e que é transformado em um fantoche idiota) e seus problemas de saúde (um dos fatores que o tornam/tornavam o herói mais humano e interessante). Já para os fãs dos filmes de ação e da enxurrada de super-heróis que invadiu as telas nos últimos anos, o filme fica abaixo dos dois primeiros da franquia, mas não de uma maneira vergonhosa, o que já é uma boa conquista. Muitos vão dizer que o diretor Shane Black exagerou, mas isso é bom para calar a boca dos entendidos que viviam reclamando do trabalho de Jon Favreau nos longas anteriores.

Homem-de-Ferro-3-PepperPor falar em conquista, parece que, mercadologicamente falando, a opção por dar mais espaço para o papel de Pepper Potts foi mais do que acertada. Se os fãs de quadrinhos irão ver o filme de qualquer maneira (assim como quem gosta de ação), a Disney parece ter mirado (com sucesso) nas mulheres. Todas com as quais falei (nenhuma delas fã do herói ou de filmes de ação) acharam o novo filme o melhor da trilogia. Parece mesmo que discutir a relação é coisa que agrada ao universo feminino (infelizmente).

Minhas reclamações ficam concentradas no direcionamento que o personagem pode ter de agora em diante. O roteiro, repito, matou um de seus melhores inimigos e de quebra tornou Tony Stark em uma pessoa responsável emocionalmente e ainda por cima saudável. Só falta ele ir correr uma maratona e se transformar definitivamente numa espécie de Duro de Matar. Fico curioso como farão para manter a franquia interessante, se é que ainda pensam em uma nova continuação.

homem-de-ferro-3-mandarimSe o roteiro é o ponto fraco, o ponto alto vem por conta do elenco onde todos (até o subutilizado Ben Kingsley) estão ótimos. Robert Downey Jr. continua brilhante e suas tiradas sarcásticas e cheias de humor nada correto são certeiras.

Vocês podem/devem ter notado que não citei o verdadeiro vilão da trama nem o teor de seus atos (terroristas), que servem como motivação para a luta contra o mundo livre. Bem, achei melhor deixar um pouco de suspense e mistério para ser descoberto no escurinho do cinema, chupando drops de anis.

Que Tony Stark deixe para trás suas crises de ansiedade e pânico e arrume um terapeuta melhor, pois algo me diz que suas sessões podem acabar de forma violenta.

PS: O filme tem versão em 3D, mas que é usado de forma protocolar e não acrescenta muita coisa ao filme. A versão 2D não vai decepcionar.

Leia sobre os outros filmes do herói.

Homem de Ferro 1

Homem de Ferro 2

Publicado por: Fernando de Oliveira | 27/04/2013

Comunidade Nin-Jitsu lança DVD

DVD_CNJ_AoVivoCom sua mistura de rock, funk carioca, rap e outros estilos, a  banda porto alegrense Nin-Jitsu – formada pelo deputado estadual Mano Changes (voz), pelo DJ Fredi “Chernobyl” Endres (guitarra), Nando Endres (baixo) e Gibão Bertolucci (bateria)  – lança seu primeiro DVD, Comunidade Nin-Jitsu Ao Vivo no Opinião (Coqueiro Verde Records), recheado de convidados.

Tendo seis discos na bagagem – Atividade na Laje (2008), Comunidade no Baile (2005), Aproveite Agora (2003), Maicou Douglas Syndrome (2001), Broncas Legais (1998) – e apresentações em vários eventos (até mesmo um Free Jazz), a banda escolheu 21 faixas para fazer um balanço de carreira e ainda homenagear seus convidados, entre eles o roqueiro Chorão, vocalista do Charlie Brown Jr., morto recentemente e aqui em uma de suas últimas apresentações. Além de Chorão, também aparecem no projeto B Negão, Xis, Serginho Moah, Edu K e Lucas Silveira.

Canções como Melô do Analfabeto, Tudo Que Ela Gosta de Escutar, Rap do Trago e Ah! Eu Tô sem Erva fazem a alegria da galera em um show totalmente descontraído. São 20 músicas no CD e 21 no DVD (Fazê a Cabeça entra como extra). O som (5.1 ou 2.0) é ótimo e não vai poder servir de desculpa para ninguém ficar parado.

Uma versão desse texto também foi publicado no jornal O Fluminense

Publicado por: Fernando de Oliveira | 26/04/2013

Três tons de Luiz Melodia

tonsluizmelodiaA série Tons, que reúne sempre três discos emblemáticos de expoentes da música popular brasileira, ganha mais um volume, desta vez dedicado ao cantor e compositor carioca Luiz Melodia.

A Universal Music empacotou discos de três décadas diferentes (anos 70, 80 e 90), conseguindo desenhar um bom panorama da obra do artista, começando pelo primeiro disco lançado por ele – Pérola Negra (1973) -, que já continha entre suas dez faixas as hojes clássicas Vale Quanto Pesa e, principalmente, Estácio, Holly Estácio. Mas o disco não fica nisso, há muitos outros tesouros, como a faixa-título e também Magrelinha.

Capa Pérola Negra 1973O segundo disco da caixa - Felino (1983) – não tem o mesmo peso e inspiração de Pérola Negra, mas nem por isso não deixa de ter os seus momentos, apesar dos arranjos notadamente voltados para alcançar o padrão radiofônico da época, algo que nem sempre combinava com as composições do “Negro Gato” Melodia.

Pintando o Sete (1991), álbum que fecha a triologia, foi lançado na esteira do grande sucesso da regravação de Melodia para Codinome Beija-Flor, canção que estourou como parte da trilha sonora da novela O Dono do Mundo e apresenta novamente o artista em boa forma.

A caixa ainda vale por trazer as artes originais dos LPs agora adaptadas para o formato de CD e pelo belo trabalho na remasterização do som. Nunca Melodia soou tão bem!

Uma versão desse texto também foi publicado no jornal O Fluminense

Publicado por: Fernando de Oliveira | 25/04/2013

Tá chegando a hora do Rockshow

Paul McCartney (com e sem o Wings) é sempe garantia de um tempo bastante agradável.  Que maio e junho chegem logo e demorem muito para passar – falta de lógica é sempre bom.

Confira um pouco do que nos espera.

Wings Over America 1976

Publicado por: Fernando de Oliveira | 25/04/2013

Muito longe do Trem da Alegria

Patricia MarxPode ser que muita gente não lembre, mas a cantora Patricia Marx – que agora lança seu mais novo trabalho, Trinta (LAB 344), já não é uma menininha e menos ainda uma novata. Com várias canções já emplacados em trilhas de novelas, além dos sucessos alcançados com o antigo grupo, Patricia usa todo o seu balanço em um disco que surpreende pela maturidade.

No CD, que, como a maioria dos lançamentos recentes, conta com algumas participações de peso, como Seu Jorge e Ed Mota, Patricia mostra muito suingue, com pitadas de soul, blues e um quê de Djavan, criando uma atmosfera sempre recheada de balanço. A nova versão de Espelhos D’água – composta por Dalto e Claudio Rabelllo e na qual Seu Jorge dá uma canja – é especialmente inspirada, com um belo arranjo de metais.

O disco já faz sucesso no iTunes e consolida Marx como uma artista que tem uma personalidade própria, bem distante daquela imagem da menininha que cantava canções infantis trinta anos atrás.


Uma versão desse texto também foi publicado no jornal O Fluminense

Publicado por: Fernando de Oliveira | 25/04/2013

So – A obra prima de Peter Gabriel

so-peter-gabriel-blu-ray-largeUm dos maiores sucessos de 1986, o disco So, de Peter Gabriel, o performático ex-vocalista do Genesis, ganha sua história contada na excelente série Classic Albuns, lançado no Brasil (DVD e Blu-ray) pela gravadora ST2.

O disco, que entre os seus vários momentos brilhantes produziu o megahit Sledgehamer (e seu fantástico vídeo clipe), “sobreviveu” bem ao tempo, permanecendo atual, mesmo com mais de 25 anos de seu lançamento e o documentário mostra como foi o processo de criação da obra, com entrevistas com o próprio Peter Gabriel, além de músicos que tocaram nas gravações, produtores, colaboradores e outras figuras que participaram do processo.

Como em todos os episódios da série, as imagens (shows e entrevistas) e o som (com alguns momentos onde podemos ouvir os multitracks originais) são de arrepiar.

O DVD/Blu-ray, em seus 94 minutos, vem com um making of do clipe de Sledgehamer e mais de 30 minutos de material que não foi ao ar na versão transmitida na TV. Mas esteja em dia com algum outro idioma. O documentário conta com legendas em inglês, francês e alemão, mas não em português.


Uma versão desse texto também foi publicado no jornal O Fluminense

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